Aquecimento de piscina: solar, bomba de calor ou gás?

Água fria é um dos motivos mais comuns para a piscina ficar parada metade do ano. Mesmo em regiões quentes, as noites frias de outono e inverno deixam a água desagradável, e em boa parte do Sul e do Sudeste a temporada de banho fica curta sem algum tipo de aquecimento. As opções principais são o aquecimento solar, a bomba de calor e o aquecedor a gás, cada uma com custo de instalação, custo de uso e velocidade bem diferentes.

Antes de escolher o equipamento, vale entender uma coisa: a maior parte do calor de uma piscina não vai embora pelas paredes, e sim pela superfície, através da evaporação. Por isso qualquer sistema de aquecimento funciona muito melhor, e gasta menos, quando a piscina é coberta com uma capa térmica fora do horário de uso.

Aquecimento solar

O sistema usa coletores instalados no telhado ou em uma estrutura próxima, geralmente placas de polipropileno ou de outros materiais próprios para piscina. A bomba manda a água da piscina para os coletores, onde ela esquenta ao passar pelo sol, e depois volta. Um controlador com sensores liga e desliga a passagem pelos coletores conforme a temperatura.

Vantagens: custo de operação muito baixo (o sol é de graça; gasta-se apenas a energia da bomba), manutenção simples e vida útil longa.

Limitações: depende de sol. Em dias nublados ou chuvosos, aquece pouco, e no inverno rigoroso não mantém sozinho uma temperatura alta. A área de coletores precisa ser proporcional à superfície da piscina, e o telhado precisa de boa orientação para o sol (no Brasil, voltado para o norte) e espaço livre de sombra.

Para quem é: para quem quer estender a temporada e deixar a água agradável na maior parte do ano, sem gastar com energia, aceitando que em alguns dias frios a água não vai estar quente.

Cuidados: no começo da manhã e à noite, o sistema não deve circular água pelos coletores, que nesses horários resfriam a água em vez de aquecer. O controlador cuida disso, por isso vale conferir se os sensores estão funcionando. Antes de geada, siga a orientação do fabricante sobre drenar os coletores.

Bomba de calor

A bomba de calor funciona como um ar-condicionado ao contrário: ela retira calor do ar ambiente e transfere para a água da piscina. Por isso consegue entregar várias vezes mais calor do que a energia elétrica que consome. Os fabricantes informam essa eficiência como COP (coeficiente de desempenho); quanto maior, menor o gasto de energia para o mesmo aquecimento.

Vantagens: aquece com qualquer clima, inclusive à noite e em dias nublados, e mantém a temperatura de forma estável. O custo de operação é bem menor que o de resistências elétricas.

Limitações: custo de instalação maior que o solar, e a eficiência cai quando o ar está muito frio. Aquecer uma piscina fria do zero pode levar dias; ela é melhor para manter a temperatura do que para aquecer rápido. Faz algum ruído, parecido com o de uma unidade de ar-condicionado, o que pede atenção à posição de instalação.

Para quem é: para quem quer usar a piscina o ano inteiro, com temperatura previsível, e tem uma instalação elétrica que comporte o equipamento.

Cuidados: precisa de espaço ventilado ao redor e de vazão mínima de água, por isso funciona junto com a bomba da piscina. O dimensionamento deve considerar o volume, a superfície, a região e a temperatura desejada; equipamento pequeno demais trabalha o tempo todo e não chega à temperatura.

Aquecedor a gás

Queima gás (GLP ou natural) para aquecer a água que passa pelo equipamento.

Vantagens: é o mais rápido. Consegue elevar a temperatura em poucas horas, independente do clima. Bom para uso esporádico, como esquentar a piscina para um fim de semana.

Limitações: é o de maior custo de operação, que varia com o preço do gás. Para manter a piscina quente o tempo todo, costuma sair caro. Exige instalação feita por profissional habilitado, ventilação adequada e cuidados de segurança com gás.

Para quem é: para piscinas usadas de vez em quando, que precisam esquentar rápido, ou como complemento de outro sistema.

Comparação rápida

SolarBomba de calorGás
Custo de instalaçãoMédioAltoMédio
Custo de operaçãoMuito baixoBaixo a médioAlto
Depende do climaMuitoPoucoNão
Velocidade para aquecerLentaLenta a médiaRápida
Melhor usoEstender a temporadaUso o ano todoUso esporádico

Muitas casas combinam sistemas: solar como base, com bomba de calor ou gás para os dias frios. O controlador prioriza o solar e só aciona o outro quando necessário.

A capa térmica: o complemento indispensável

Sem capa, boa parte do calor gerado se perde à noite pela evaporação. Fontes ligadas ao Departamento de Energia dos Estados Unidos estimam que capas podem reduzir em 50% a 70% o custo de aquecimento. Na prática, aquecer uma piscina sem capa é como esquentar a casa com a janela aberta. Cubra sempre que a piscina não estiver em uso, principalmente à noite.

Outras medidas que ajudam:

  • Proteção contra vento: muros, cercas-vivas e paredes diminuem a evaporação.
  • Temperatura moderada: cada grau a mais aumenta o gasto. Para a maioria das pessoas, entre 26 °C e 28 °C já é confortável.
  • Termostato e horário: em piscinas usadas só no fim de semana, não faz sentido manter a água quente durante a semana inteira.

O que muda na química da água aquecida

Água quente muda o tratamento:

  • O cloro é consumido mais rápido. Calor favorece o crescimento de microrganismos e acelera as reações. Teste com mais frequência e ajuste a dose. O CDC (órgão de saúde pública dos Estados Unidos) recomenda para piscinas residenciais pH entre 7,0 e 7,8 e cloro livre de pelo menos 1 ppm, ou 2 ppm com ácido cianúrico.
  • Mais tendência a incrustação. Em água quente, o cálcio precipita com mais facilidade, principalmente com pH e alcalinidade altos. Os trocadores de calor dos aquecedores e da bomba de calor são pontos sensíveis: crosta ali reduz a eficiência e pode danificar o equipamento. Mantenha pH, alcalinidade e dureza na faixa. Veja alcalinidade da piscina.
  • pH baixo corrói o trocador de calor. Água ácida ataca metais. Muitos fabricantes de aquecedores condicionam a garantia à química correta da água.
  • Nunca coloque produto químico concentrado de forma que passe direto pelo aquecedor. Pastilhas em dosadores instalados antes do aquecedor, ou cloro concentrado jogado no skimmer, podem corroer o trocador. Siga o manual quanto à posição dos dosadores (normalmente depois do aquecedor).

Bomba e filtro

Todo sistema de aquecimento depende da circulação: a água só esquenta enquanto passa pelo equipamento. Com aquecimento, o tempo de bomba ligada normalmente aumenta, e o filtro sujo, que reduz a vazão, também reduz o aquecimento. Veja quanto tempo a bomba deve ficar ligada e como limpar o filtro.

Como escolher

Responda antes de pedir orçamentos:

  1. Em que meses você quer usar a piscina?
  2. Qual temperatura considera confortável?
  3. Qual o volume e a área da superfície da piscina?
  4. Há telhado bem orientado e sem sombra para coletores?
  5. A instalação elétrica comporta uma bomba de calor? Há gás disponível?
  6. Você vai usar capa térmica? (Se a resposta for não, o gasto de qualquer sistema sobe muito.)

Peça ao fornecedor um dimensionamento por escrito, com a temperatura esperada em cada estação e o consumo estimado. Desconfie de orçamento que não pergunte o tamanho da piscina e a região.

Erros comuns

  1. Aquecer sem capa térmica.
  2. Comprar equipamento subdimensionado para economizar.
  3. Instalar coletores solares em telhado com sombra ou mal orientado.
  4. Manter a água quente o tempo todo numa piscina usada só no fim de semana.
  5. Ignorar a química da água, que estraga o trocador de calor.
  6. Deixar o filtro sujo e a bomba pouco tempo ligada.

Aquecer bem é aquecer com o equipamento certo, com capa e com a água equilibrada. O resto da rotina está no checklist de manutenção.

Fontes

Imagem de capa: coletores solares usados para aquecer uma piscina residencial no Arizona, EUA, em 1974. Foto do Arquivo Nacional dos EUA (Wikimedia Commons, domínio público).

Leia também