Piscina de alvenaria: como cuidar do rejunte e do revestimento

A piscina de alvenaria é a mais tradicional no Brasil: uma estrutura de concreto ou blocos, impermeabilizada e revestida com azulejo, pastilha cerâmica, pastilha de vidro, pedra ou argamassa. Ela permite qualquer formato e dura décadas, mas tem uma particularidade que muda os cuidados: boa parte da superfície em contato com a água é feita de materiais cimentícios, como rejunte e argamassa, que reagem com a química da piscina.

Água desequilibrada não só fica turva ou verde numa piscina de alvenaria. Ela pode atacar o rejunte, manchar as pastilhas, formar crostas brancas e, com o tempo, abrir caminho para infiltrações. Por isso, além da rotina de qualquer piscina, a alvenaria pede atenção ao equilíbrio mineral da água e ao estado do revestimento.

O ponto fraco: o rejunte

O azulejo e a pastilha são praticamente inertes. O rejunte, não. Ele é à base de cimento (ou de resina, nos rejuntes epóxi) e fica o tempo todo mergulhado. Quando a água está “agressiva”, ou seja, com tendência a dissolver minerais, ela vai retirando material do rejunte aos poucos. Os sinais:

  • rejunte ficando áspero, poroso ou mais fundo que as pastilhas;
  • pontos que soltam pó ao passar a mão;
  • pastilhas começando a soltar;
  • algas se fixando nas juntas, principalmente a alga preta, que adora superfícies porosas. Veja algas na piscina.

A água fica agressiva quando pH, alcalinidade e dureza cálcica estão baixos. No sentido oposto, quando esses três estão altos, a água tende a depositar minerais, formando crostas brancas na linha d’água e no rejunte. O objetivo é ficar no meio: nem dissolvendo, nem incrustando.

Os parâmetros que protegem a alvenaria

pH. O CDC (órgão de saúde pública dos Estados Unidos) recomenda entre 7,0 e 7,8 para piscinas residenciais. Abaixo de 7,0, além de irritar pele e olhos, a água corrói metais e ataca materiais cimentícios. Veja pH ideal da piscina.

Alcalinidade total. Segura o pH estável. Uma referência prática comum para piscinas residenciais é 80 a 120 ppm. Com alcalinidade baixa, o pH despenca com facilidade e a água fica agressiva. Veja alcalinidade da piscina.

Dureza cálcica. É a quantidade de cálcio dissolvido. Em piscinas cimentícias, ela importa mais do que em vinil ou fibra, porque água com pouco cálcio tende a “buscar” cálcio nas superfícies. Uma referência comum para revestimentos cimentícios é algo entre 200 e 400 ppm, mas a faixa ideal depende do revestimento e da argamassa: confirme com o fabricante ou o instalador. Água de abastecimento muito mole (com pouco cálcio) pode exigir correção; água de poço muito dura pode exigir o contrário.

Esses três parâmetros, junto com a temperatura, formam o que os técnicos chamam de equilíbrio da água, medido por índices como o de saturação de Langelier. Não é preciso calcular índice toda semana: basta manter pH, alcalinidade e dureza dentro das faixas e medir a dureza de vez em quando, principalmente depois de trocas grandes de água.

Crostas brancas e eflorescência

Manchas brancas e ásperas na linha d’água, nas juntas ou nos degraus costumam ser depósitos minerais, principalmente carbonato de cálcio. Aparecem quando pH, alcalinidade e dureza estão altos, a água está quente ou há muita evaporação e reposição com água dura.

Outro fenômeno típico da alvenaria é a eflorescência: sais que migram de dentro da estrutura e afloram na superfície como um pó ou crosta branca, às vezes acompanhando umidade nas bordas e no entorno. Quando aparece de forma persistente fora da água (em bordas, muretas e casa de máquinas), pode indicar umidade vindo de dentro da estrutura, e vale uma avaliação.

Para crostas leves, a escovação frequente e o ajuste da química costumam bastar. Crostas duras pedem produtos específicos para remoção de incrustação, compatíveis com o revestimento, ou serviço profissional. Não ataque com ácido concentrado por conta própria (veja abaixo). Veja também manchas no fundo da piscina.

Limpeza do revestimento

A alvenaria aceita uma escovação mais firme que vinil e fibra, mas isso não quer dizer qualquer escova:

  • Azulejo e pastilha: escova de nylon de cerdas firmes resolve a rotina. Na linha d’água, use limpa-bordas próprio para piscina e compatível com o revestimento.
  • Rejunte: escove no sentido das juntas, com atenção aos cantos e degraus, onde a circulação é menor.
  • Escova de aço: só em situações específicas e em superfícies que a suportem, como algumas argamassas sem acabamento. Em pastilha de vidro e azulejo, risca e tira o brilho.
  • Pastilha de vidro: evite abrasivos. Riscos acumulam sujeira e deixam a superfície opaca.

Detergente doméstico não é produto de piscina: faz espuma e deixa resíduo na água. A rotina completa está em como limpar uma piscina.

Lavagem ácida: quando é e quando não é a solução

A lavagem ácida, feita com a piscina vazia, remove manchas, crostas e uma fina camada da superfície de alguns revestimentos cimentícios. Funciona, mas tem custo: cada lavagem tira material, deixa a superfície mais porosa e encurta a vida do acabamento. Em rejunte, ela pode abrir as juntas.

Antes de considerar, tenha certeza do diagnóstico: mancha de metal, alga, depósito mineral e desgaste do revestimento pedem tratamentos diferentes, e muitas vezes uma solução menos agressiva resolve. Ácido muriático concentrado é perigoso: libera vapores, queima a pele e reage com cloro gerando gases tóxicos, como alerta o CDC. Se for necessária, a lavagem ácida deve ser feita por profissional, com proteção e ventilação adequadas.

Vazamento ou evaporação?

Toda piscina perde água por evaporação, mais no calor, com vento e sol forte. Mas perda acentuada em piscina de alvenaria pode ser vazamento por trinca, junta de dilatação, ralo, retorno, iluminação ou tubulação. Um teste simples ajuda a diferenciar, o chamado teste do balde:

  1. Encha um balde com água da piscina até uns 10 cm da borda.
  2. Coloque o balde no primeiro degrau, de modo que a água dentro e fora fiquem em níveis parecidos.
  3. Marque o nível da água dentro do balde e o nível da piscina na parede do lado de fora.
  4. Desligue o enchimento automático, se houver, e deixe a bomba no funcionamento normal.
  5. Depois de 24 horas, compare as duas marcas.

Se a piscina baixou bem mais que o balde, há perda além da evaporação. Repita com a bomba desligada: se a diferença diminuir muito, o vazamento provavelmente está na tubulação pressurizada; se continuar igual, pode estar na estrutura ou em peças embutidas. Nesse ponto, vale chamar um profissional de detecção de vazamentos.

Outros sinais de vazamento: chão encharcado ao redor, rachaduras novas, pastilhas soltando em uma área específica, piso afundando, conta de água subindo sem explicação e consumo de produtos acima do normal por causa da reposição constante.

Trincas e pastilhas soltas

Fissuras finas no revestimento podem ser só superficiais, mas trincas que atravessam a estrutura ou que crescem pedem avaliação. Pastilhas soltas indicam falha de assentamento, rejunte comprometido ou umidade atrás do revestimento. Não deixe arestas soltas: pastilha quebrada corta pés e mãos. Reparos pequenos podem ser feitos com argamassa e rejunte próprios para áreas submersas, às vezes até com a piscina cheia, usando produtos específicos. Problemas maiores exigem esvaziar e refazer a área.

Esvaziar a piscina de alvenaria: cuidado

A piscina enterrada sofre pressão do solo e da água subterrânea ao redor. Cheia, a água equilibra essa pressão. Vazia, especialmente com o lençol freático alto ou depois de chuvas fortes, a estrutura pode trincar ou até se deslocar. Também não é bom deixar o revestimento vazio exposto ao sol forte por muitos dias.

Por isso, esvazie só quando necessário (reformas, reparos estruturais), em época seca e com orientação do construtor ou de um profissional. Para recuperar água verde ou turva, quase nunca é preciso esvaziar. Veja como recuperar a água sem esvaziar.

Piscina nova ou reformada

Argamassas e rejuntes novos liberam cal e alteram a química da água nas primeiras semanas: o pH e a alcalinidade tendem a subir, e pode aparecer pó branco no fundo. Siga o procedimento de enchimento e de “partida” indicado pelo instalador e pelo fabricante da argamassa, que normalmente inclui tempo de cura antes de encher, escovação frequente nas primeiras semanas e controle próximo do pH. Pular essa etapa pode manchar e enfraquecer o acabamento logo no início.

Rotina para piscina de alvenaria

  • Com frequência: testar cloro e pH, retirar folhas, conferir nível e filtro.
  • Toda semana: escovar paredes, fundo, degraus e rejunte; limpar a linha d’água; aspirar.
  • A cada poucas semanas: medir alcalinidade e dureza cálcica, e o estabilizante se usar cloro estabilizado.
  • Periodicamente: olhar com calma o revestimento em busca de rejunte gasto, pastilhas soltas, trincas e manchas.

O resto da rotina segue o checklist de manutenção.

Erros comuns

  1. Deixar o pH baixo por semanas.
  2. Ignorar a dureza cálcica.
  3. Fazer lavagem ácida a cada problema de mancha.
  4. Usar escova de aço em pastilha de vidro e azulejo.
  5. Esvaziar a piscina para resolver água verde.
  6. Confundir evaporação com vazamento, ou o contrário.
  7. Encher uma piscina recém-reformada sem seguir o tempo de cura.
  8. Deixar pastilhas soltas e rejunte aberto sem reparo.

Vale chamar um profissional quando a piscina perde água além do normal, aparecem trincas que crescem, várias pastilhas soltam, o rejunte está se desfazendo em áreas grandes, há crostas que não saem com escova ou você precisa esvaziar a piscina. Na alvenaria, cuidar da química da água é também cuidar da estrutura.

Fontes

Imagem de capa: revestimento de pastilhas com rejunte, por Tim Mossholder (Unsplash).

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